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Martinho Lutero

Martinho Lutero Galati De Oliveira, regente de coro e orquestra nascido em Minas Gerais e radicado em Milão na Itália.

Depois de concluir os estudos superiores de música em Buenos Aires (Argentina), freqüentou a Faculdade de História da USP. Entre 1980 e 1988 completa a sua especialização na Europa, estudando na Hungria e na Itália.

Foi aluno de vários maestros absorvendo de cada um deles uma parte importante de sua formação. São eles: Jonas Christensen, Pablo Sosa, Hans Joachin Koelheutter, Peter Erdei e Franco Ferrara.

Uma importantíssima etapa da sua formação foi o longo periodo de estudos sob a orientação do compositor Luigi Nono.

Funda em 1970 o Coro Luther King em São Paulo, do qual é até hoje Diretor Artístico.

Com este grupo realizou mais de 500 concertos. De 1978 a 1984 vive na África trabalhando em pesquisa sobre a música tradicional a serviço da Unesco.

Em Moçambique dirige o coro da Escola Nacional de Música ,onde leciona regência e composição.

Em 1988 vence o premio André Segovia de regência em Santiago de Compostela (Espanha), e em 2002 recebe o título de Cidadão Benemérito da Cidade de Milão na Itália, título antes conferido somente a Carlos Gomes.

Atualmente é professor do Instituto de Musicologia de Milão, regente da Piccola Orchestra Sinfonica di Milano e alterna a atividade de regente e compositor junto aos mais importantes teatros da Itália, Alemanha e Suíça.

É membro do Comitê Internacional e coordenador do Fórum Coral Mundial. É diretor artístico da Rede Cultural Cantosospeso por ele fundada em 1987.

Martinho Lutero por Marcus Vinícius de Andrade

Martinho Lutero é um brasileiro raríssimo. Primeiro, por ser um daqueles talentos inquestionáveis que são – infelizmente – mais conhecidos no exterior que em sua própria terra. Depois, por ser dono de uma biografia fascinante, digna mesmo de um personagem de Conrad: neto de judeu tcheco com índia e de calabrês com suíça, saiu de Alpercatas (MG) para receber o título de cidadão de Milão, honraria antes só conferida a um certo Carlos Gomes, há mais de cem anos. Para chegar até lá, Martinho passou antes por Rio de Janeiro, São Paulo, Paris e Maputo, tendo vivido os mais diversos papéis: diretor musical de "Hair", militante da ALN (Aliança Libertadora Nacional), fundador do Coral Luther King, estudante e pesquisador da UNESCO na África, só pra citar alguns. De Moçambique, chegou à Itália pelas mãos de ninguém menos que Luigi Nono, com quem trabalhou durante quatro anos.

Daí para tornar-se um dos mais talentosos e requisitados regentes da atualidade, foi só um passo. Só que Milão chegou na frente e deu logo a Martinho o reconhecimento que Alpercatas ainda não lhe deu.

Mas Martinho Lutero é figura rara também por outras razões: ele bem que poderia, se quisesse, ter abraçado a regência de orquestra, área pródiga em holofotes e cifrões, além de que muito mais glamurizada pela grande mídia. Mas não. Mesmo sendo um qualificadíssimo regente de orquestra, Martinho resolveu priorizar, em sua carreira, a esquecida música coral. Foi uma espécie de "opção pelos pobres" que se revelou acertada, pois permitiu transformá-lo num dos protagonistas de um movimento internacional pela revalorizaçáo do canto coletivo, embrião de um futuro Forum Coral Mundial. Martinho está tendo a sabedoria de resgatar o poder sociabilizador do canto, transformando-o em instrumento de integração comunitária, de consciência e, principalmente, de cidadania. Com isso, ele vem dotando a chamada música erudita de um poder político-participativo raro nos dias atuais. A notável atuação de seus corais em movimentos e eventos como o Forum Mundial de Porto Alegre mostra que o poder mobilizador da Música pode e deve ser usado em prol da verdadeira globalização: aquela que une vozes e mentes para criar novos e melhores cidadãos do mundo. Por tudo isso, Martinho muito tem a falar.

E o Brasil, muito tem a ouvir e (principalmente) a aprender com ele. Fala, Maestro!

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